sábado, 12 de janeiro de 2013

Baobás!



"Conheci um planeta habitado por um preguiçoso. Havia deixado três arbustos. . ."

A ilustração acima é do livro "O Pequeno Príncipe", um dos meus livros preferidos. Recomendo fortemente sua leitura. Não se deixem enganar, pensando que se trata de um mero "livro para crianças". Para entendê-lo bem, é preciso saber ler nas entrelinhas...

Essa passagem é interessante porque, através da narrativa de uma "luta" entre o Príncipe e os baobás, que sempre ameaçam tomar seu pequeno planeta, o autor nos faz pensar a respeito de defeitos que, se não combatidos, podem dominar nossa vida.

Maus hábitos que todos tempos; cada um conhece - ou não - os seus. Podem até permanecer quiescentes por um tempo, mas não tardam em vir à tona. Cabe a nós a vigilância e o combate.

E por que, depois de mais de um ano sem postagens, escolhi justamente esse tema?

Porque estava pensando a respeito do péssimo hábito que tenho de adiar o que quero fazer. Quantas e quantas vezes veio aquela vontade de escrever e eu a rejeitei com um "depois"...

Essa pequena palavra se tornou, para mim, uma grande ameaça... "Depois" é quase um sinônimo para "nunca". A tarefa relegada a segundo plano frequentemente cai no esquecimento e o que poderia ser uma boa ideia se perde num turbilhão de pensamentos. Triste, não?

Por isso, resolvi escrever. Para me lembrar deste "baobá" que silenciosamente cresce, e que deve ser combatido sem descanso.

Confesso que não sei se, quando estiver voltando cansada de um plantão, conseguirei escrever. Quando volto para casa, relembrando os momentos vividos no hospital, vêm-me tantas ideias! Tantos textos que gostaria de partilhar e... Perdidos!

Não vou andar em círculos, ao redor da minha decepção por perder ideias... Termino esse texto com um apelo para que cada pessoa que ler - se houver algum leitor! - reflita sobre seus "baobás". Você cuida em arrancá-los ou deixa que eles o dominem?

Que Deus nos ajude nessa luta ;)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cinco pães e dois peixes... ou: Sentimento do mundo

Hoje eu percebi que o Evangelho e a poesia podem ter muita coisa em comum...

"Tenho apenas duas mãos

e o sentimento do mundo"

 (Carlos Drummond de Andrade)


"Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer? Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer. Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço. Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... mas que é isto para tanta gente? Disse Jesus: Fazei-os assentar. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil. Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam. Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos." (João 6, 5-13)


Por que juntei esses dois excertos, aparentemente tão desconexos?

Porque, mais de uma vez, senti-me como o poeta... Não sei se acontece com vocês também, mas eu já me peguei pensando no mundo, tão cheio de dor, de injustiça, miséria, violência... Aí, surge aquela vontade de fazer a diferença, ainda que não saiba bem como poderia concretizar essa ideia. Quando começo a me entusiasmar, porém, lembro-me de minha pequenez, de meus defeitos... E dos problemas que me propus, ainda que momentaneamente, a enfrentar. Desanimo... Mas a inquietação permanece.

Por outro lado, quando lembro desse trecho do Evangelho, imagino a coragem do menino, para se aproximar dos apóstolos e oferecer seus pobres pãezinhos. Ele poderia muito bem ter pensado que o que tinha era nada diante da multidão. Que não adiantaria ceder seu lanche, e que era melhor comer sozinho, do que dar os pães e ser apenas mais um faminto.

Aí, me pergunto: se Jesus fez isso com cinco pães e dois peixes, o que Ele não poderá fazer com minha vida? Sim, se Ele foi capaz de alimentar tantos com tão pouco, Ele pode evitar que minha vida seja simplesmente "tão pouco". Com Jesus, o pouco torna-se muito! Essa percepção me enche de esperança, pois um novo horizonte se descortina diante de mim. Antes, eu tinha "apenas duas mãos", e pouco podia fazer com elas. Agora, tenho Jesus, que do meu pequeno nada fará um milagre!

Todavia, as coisas não são assim tão simples... Para que esse milagre aconteça, para que haja a "multiplicação da vida", é preciso ter a coragem de dar tudo a Jesus. E isso implica fazer renúncias, aceitar sofrimento, ter uma parcela da Cruz. Estou pronta para isso? Ou estarei fadada a viver triste, apenas com "duas mãos e o sentimento do mundo"?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vai ser diferente!

Hoje me perguntaram por que as pessoas dão tanta importância à virada de ano. Confesso que, na hora, não soube o que responder. Por um instante, pareceu-me sem sentido toda essa movimentação em torno do tempo, e toda a esperança que, nesta época, parece se difundir com mais intensidade. Por que tantas listas de promessas, se no dia primeiro continuamos as mesmas pessoas, com os mesmos defeitos?  Por que tanta festa, se mundo não ficou melhor porque a data mudou?

Eu sempre fiz listas com propósitos, e estes foram esquecidos à medida que o ano avançava. O otimismo dissolvia-se na fadiga diária. No fim das contas, nada mudava. Para 2012, por puro descuido, não fiz lista alguma. Entretanto, pensando a respeito de minha vida, especialmente dos acontecimentos do ano pregresso, vi quanta coisa fora de lugar. Uma verdadeira bagunça interior. E tomei uma decisão: vai ser diferente!

Não, não estou tentando me convencer que, de uma hora para outra, vou mudar - à força de palavras. Eu pensava assim, mas percebi que não dava muito certo. Sou muito ligada à "palavra", sempre gostei de me expressar através dela. Mas isso tem seus problemas. Percebi que, de tanto falar e escrever, fazia muito pouco. Obviamente, escrever e fazer não são se excluem, mas no meu caso, achava que escrever o propósito, por exemplo, era meio caminho andado. E não é, por isso que quase nunca dava certo.

Parece bobagem, mas finalmente percebi que a mudança deve ser contínua: as decisões devem ser renovadas  a cada dia, em vez de ficarem aprisionadas em uma lista, fora da realidade. "A cada dia basta seu cuidado", disse Jesus. É assim que quero viver. Não posso mudar tudo de uma vez só (bem que eu gostaria!). A luta deve ser diária. Para sobreviver, a esperança deve dar às mãos à perseverança.

Olhando agora para um calendário, um ano parece muito tempo. Lembrando-me de como 2011 passou rápido, parece um instante. Esse paradoxo se deve, em parte, à agitação de nossa época, mas não posso colocar a culpa na "correria da vida", eximindo-me de qualquer participação nesse fenômeno. Reconheço que perdi muito tempo.

Mas, acredito que vai ser diferente. Não, não quero dizer que vou aproveitar bem este ano. Não. Vou aproveitar bem este dia. Só hoje. Só por hoje, vou amar mais e reclamar menos. Só hoje, vou fazer mais e falar menos. Só hoje vou passar menos tempo no facebook! Afinal, eu não aguentaria  fazer isso por um ano inteiro, mas um dia... É, acho que consigo!

Que Deus abençoe este ano, e que Maria seja nossa companheira nesta caminhada, ensinando-nos a usar bem o tempo precioso que o Senhor nos concede. Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O último plantão... Por enquanto!

Hoje cheguei em casa com sono, por volta das 06:30. Voltava de meu último plantão de obstetrícia, pelo menos por enquanto. A noite fora tranquila. Poucas gestantes, algumas cesarianas, nenhum trabalho de parto muito avançado. Não fiz nada de "especial"... Apenas examinar as pacientes, conversar com elas, tirar-lhes as dúvidas. Tudo tão simples, e ao mesmo tempo tão importante: ainda que de maneira breve, eu fiz parte de suas histórias, em um momento tão marcante quanto a gravidez.

Agradeço a Deus por estes meses de estágio, no qual eu aprendi muito mais do que obstetrícia. Ao longo desses meses, vi mulheres sorrindo aliviadas, depois de horas de dor intensa. Seu filho havia nascido, agora tudo - ou quase! - estava bem. As experiências das pacientes me fizeram repensar minha própria vida...  Aprendi, com elas, a esperar, a ter paciência e esperança. Aprendi que a dor e o esforço valem a pena, quando o objetivo é nobre. Lições que levarei comigo.

Olhando um pouco para esses seis meses, rapidamente revivo emoções. A decisão de fazer a prova, a inscrição feita no último dia (uma sexta-feira; saí mais cedo da aula de dermato para ir de carona, pois sequer sabia chegar no hospital!). O ritmo acelerado de estudos: rever o conteúdo de obstetrícia em 10 dias, resolver mais de 500 questões! (Sim, prejudiquei-me um pouco em outras matérias e tive que tirar o atraso depois, mas tudo tem seu preço!)

Depois, a indignação com a prova: tanto estudo para acertar tão pouco! E o choro por causa de um resultado que ainda não tinha saído, a frustração por algo que sequer aconteceu... Então, a surpresa da aprovação: saí da aula para pular no corredor, pois não pude me conter de alegria!!!! Sim, muita gente me chamou de exagerada por fazer tanto drama e acabar sendo aprovada; agora, todo mundo duvida quando digo que não gostei de uma prova!

Mas essa ainda era a primeira fase, então fui atrás de pessoas que conheciam a prova prática, peguei dicas com amigos, fui treinar no HC. Fiz a prova. Gostei. :)

Foram tantas experiências que não dá para colocar tudo em um texto sem que ele fique demasiadamente longo... Ressalto apenas a ansiedade e insegurança do primeiro plantão: sentia-me perdida! Em contraste, ontem eu estava tranquila, olhando tudo com certa nostalgia.

Agora, respiro aliviada. E feliz. Eu, tão inconstante que sou, consegui terminar o estágio! Parece pouco, mas para mim é uma vitória. Pensei que não iria aguentar quando chegassem as provas, mas fui. Pensei em faltar quando estava muito cansada, mas fui. Pensei em deixar para lá quando tudo me pareceu repetitivo e sem graça, mas... Fui! E valeu a pena.

Hoje, descendo as escadas, pensando: "a última vez que faço isso"... Eu estava tão leve! Acho que experimentei, em escala muito menor, claro, a sensação de dar o último plantão como estudante. Estava tão contente, tão leve que... Tive que subir de novo, às pressas! Tinha esquecido de pegar o carimbo do médico, comprovando que eu realmente estive no plantão. Essa leveza toda devia ser sono mesmo!

Agora, é só aproveitar as férias e rezar para que 2012 seja um ano ainda mais abençoado.
Maria, passa na frente!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um ano de blog!

Escrevi bem menos do que gostaria, mas bem mais do que imaginava! Nem eu acreditava que ia passar tanto tempo com um blog... A correria, mencionada há exatamente um ano, continuou presente. Fez-me perder inspirações de textos, momentos de descanso, e - lamentável! - a paciência.

Reconheço minha parcela de culpa. Por um lado, sobraram conteúdos a estudar, provas, plantões e tantas outras atividades. Por outro, faltou organização de minha parte, pois em várias ocasiões, deixei as coisas para a última hora. Nada mais tenso do que terminar às 3h da madrugada, para acordar às 7h e fazer uma prova. Sim, isso aconteceu!

Espero sinceramente ter mais disciplina a partir de agora, pois senti na pele que esse tipo de atitude só faz mal. Acho que aprendi a lição (espero). Aliás, espero que tenha aprendido bem todas as lições que me foram ensinadas neste ano. Às vezes, acho que sou um caso perdido, mas... Enquanto há vida, há esperança! E penso em Jacques Fesch.

Agradeço a todos que, de alguma forma, participaram deste blog. E isso vai desde aqueles que convivem comigo às grávidas do plantão. As inspirações nascem desse dia-a-dia. E, claro, aos leitores. Vi que o número de "seguidores" cresceu, e isso me alegra. Peço desculpas por não postar tão frequentemente quanto eu gostaria, eu também não gosto de blogs que nunca atualizam. Tentarei ser mais assídua. Sério.

Agradeço a Deus, pois Ele também participou do blog! Ele sempre está presente, ainda que de maneira silenciosa. E não poderia deixar de agradecer a Maria - minha maior descoberta em 2011. Em outro post explico o porquê... Só adianto que descobrir sua presença materna deixou meus dias ainda mais felizes!

Bem, por enquanto é isso!! Agora, fica a pergunta: será que chego aos dois anos de blog? Só o tempo dirá...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Eu e as gestantes :)

Finalmente de férias!!! Tecnicamente, pois ainda tenho uma prova... Mas, como essa só será no dia 13, e as aulas já acabaram, posso desfrutar do prazer de aproveitar um domingo sem pensar na prova da segunda!
Esse último mês foi atarefado: provas, muitas provas. E trabalhos. Nossa, ainda bem que já passou!

Senti falta de escrever; faz mais de um mês que passo por aqui. E não foi por falta de inspiração, o problema foi o tempo mesmo. Na última quarta, eu estava no plantão, tentando dormir... E não conseguia. Tão extenuada por tudo, e nada de pegar no sono. Detalhe: eu estava doida para escrever. O texto estava dentro de mim, pedindo para ser escrito.

Lembrei-me das gestantes que tinha atendido: elas sempre falam que ficam querendo dormir, e o bebê, movimentando-se, não as deixa descansar. Com as devidas proporções, senti-me assim... O texto revirando dentro de mim!

Vou começar a colocar as ideias em ordem... E recomeçar a escrever.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Vamos ao combate! ou: Em guarda!

Hoje fui ao cinema. Assisti a "Os Três Mosqueteiros". O enredo era bom, a trilha sonora, idem. As atuações foram ótimas. As lutas de espadas... Deu para perceber que gostei mesmo. Realmente vale a pena. Saí da sala pensando na nobreza e coragem dos personagens. E fiquei imaginando como seria emocionante viver como eles. Lutas, perigos, aventuras...

Foi aí que me dei conta de que só não vive assim, quem não quiser. Uma vida cômoda, parada, "mais ou menos" se nos oferece a cada instante. Mas, na verdade, estamos imersos na maior batalha de todas: a luta pelo Ceu.

Somos atacados constantemente por tentações, ilusões e distrações que, se não nos conseguem fazer desertar, pelo menos enfraquecem os nossos golpes e nos ferem.

Pertencemos ao exército de Jesus, e nossa grande General é Maria. Cada vitória sobre o pecado, cada tentação superada é uma vitória, é um inimigo morto. Cada pessoa que atraímos para Deus é uma "cidade" conquistada para Nosso Senhor.

Todavia, para que bem combatamos, precisamos estar fortes, bem treinados, com as armas bem cuidadas. É aí que entram a oração, as boas leituras, a prática das virtudes e, sobretudo, a Eucaristia. Tão bem equipados, estamos prontos para o combate. É hora de dar tudo. Mesmo cansado, mesmo sentindo dores, continuar lutando. Até o fim. Sempre fazendo o maior estrago possível nas hostes adversárias.

Se formos feridos, recorramos à Confissão, bálsamo que nos recobra a saúde. E retornemos à batalha. E, um dia, quando fecharmos os olhos aqui, abri-los-emos no Ceu. Receberemos, então, a coroa da glória, prêmio de tantas lutas vencidas e, com ela, a felicidade eterna.

Quem disse que a vida não é uma aventura? Em guarda!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Foi lindo! ou: Doce surpresa...

Eu estava devendo esse texto há muito tempo. Os fatos abaixo ocorreram há duas semanas, no dia 21/10/11.

Você tem aquela semana pesada e, enfim, chega a sexta-feira. Agora, vou poder descansar! Certo? Não!!!
Sexta é o dia do meu estágio de obstetrícia, onde fico de plantão. A ideia de ter algumas poucas horinhas de sono (ou não) não me atraía nem um pouco, mas... Fui. Um tanto desanimada, é verdade. Achando que o plantão ia ser sem graça.

Felizmente eu estava enganada. Até a meia-noite, estava tudo transcorrendo normalmente. Não era nem aquele plantão super pesado, nem a calmaria que foi no último capítulo de "Insensato Coração". Mas, tudo tranquilo. Até que, em meu horário da madrugada, a surpresa.

A primeira gestante que eu tinha atendido naquela noite se recusava a receber um medicamento. Ofereci-me para tentar convencê-la, uma vez que ela aparentemente tinha simpatizado comigo. Graças a Deus, consegui e ela aceitou, ficando bem cooperativa no trabalho de parto.

Quando eram quase 4h da manhã de sábado, no fim do meu horário, eu comento com um dos médicos: "poxa, eu queria tanto fazer o parto dela... Pena que não vai dar tempo". Logo depois, a bolsa dela rompeu e, quando o médico examinou, viu que a dilatação estava completa: o bebê estava prestes a nascer.

Resumindo: em alguns minutos estávamos nós três na sala de parto, eu muito feliz, pois - finalmente - fiz um parto. Nas outras vezes em que auxiliei, sempre havia alguma dificuldade e o médico intervinha (claro!). Mas, dessa vez, tudo foi perfeito, lindo! Os médicos que estavam comigo foram ótimos, me orientaram muito bem, foram super pacientes! E me deixaram fazer tudo (recebi ajuda só em algumas partes...) Foi tão emocionante!!!

E eu, que não dava nada por aquele plantão, saí muito feliz no sábado pela manhã. Pena que não lembrei de tirar foto com a bebezinha que ajudei a vir ao mundo. A ocasião merecia. Mas, tudo bem... Essa noite ficará muito bem gravada em minha memória.

Foi um verdadeiro presente; eu realmente não esperava que, justamente naquele plantão em que eu estava mais cansada, ia viver um momento tão especial. Mais uma doce surpresa de Deus.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aprendendo em Silêncio

Estou sem voz. Rouquíssima, não consigo falar sem grande esforço e, ainda assim, não me faço entender muito bem. Quem me conhece sabe como sou tagarela comunicativa. Sempre gostei de conversar, expressar ideias, emoções, valores... Quem convive comigo sabe como me é difícil silenciar.

Pois bem, agora não tenho escolha! Ou silencio ou não me recupero. Melhor calar. Na verdade, encaro essa perda temporária de voz como um convite providencial do bom Deus ao silêncio. Silenciar exterior, mas, sobretudo, interior. Silenciar minha voz para que eu ouça Sua voz.

Deus bem sabe da minha paixão por palavras, então deu-me uma forcinha ao diminuir minha voz. Assim, em silêncio, poderei buscá-Lo melhor. Ouvi-Lo.

Engraçado que, hoje pela manhã, ainda conseguia falar, e apresentei um trabalho sobre o filme "Um Golpe do Destino" . Nele, o protagonista é um médico que, com câncer de laringe, corre o risco de perder a voz... E eu, no trabalho, disse que a voz era um dos meios com que esse médico exercia seu poder sobre as pessoas...

Agora, vejo-me temporariamente destituída do meu pequeno "poder", com o qual influencio quem está por perto. Melhor assim. É hora de deixar o poder de Deus agir. Eu calo, Ele fala. Eu espero, Ele faz. Uma boa troca, não acham? :)

Não sei em quanto tempo me recuperarei. Talvez, amanhã ou depois, eu já esteja bem de novo. Mas, independentemente da duração, espero viver bem esse tempo de silêncio. Que eu, a exemplo de Maria e com a ajuda dEla, saiba ouvir a voz de Deus, e guardá-la em meu coração.

Quando eu voltar a falar, que as palavras não mais sejam minhas, mas de Deus. Que minha voz seja um simples instrumento - por meio do qual Ele se faz ouvir. Amém!

sábado, 24 de setembro de 2011

Sobre o tempo e a vida...

Uma paciente que se recusou a continuar o tratamento. Uma gestante em plena crise de falcização*, sofrendo dores atrozes. Uma gestante risonha. Uma jovem em trabalho de parto. E um caso supreendente. Assim poderia resumir o plantão de ontem... Tranquilo, mas rico em aprendizado.

O "caso surpreendente" foi protagonizado por uma jovem de 20 anos, que aparentemente estava grávida (como a maior parte das pacientes, já que o plantão é de obstetrícia). Tomamos um choque quando descobrimos que seu abdome distendido era por causa de um câncer avançado. Ela não esperava uma vida; a sua é que ia embora, aos poucos... Aos 20 anos! E a jovem não tinha ideia de quão grave era seu estado. Entristeci-me ao vê-la assim, tão nova e...

Queria escrever sobre a brevidade desta vida... Lembrar que tudo aqui passa num piscar de olhos. Mas não consigo. Só fico pensando na jovem em seu leito, sentindo dores. E imagino: poderia ser eu! E penso em como aproveitei mal o tempo, em como perdi tempo com besteiras...

O dia amanhece e eu agradeço por ter mais essa oportunidade para viver e amar, fim último de nossa existência. Deixo o hospital pensativa. E agora, rezo para que Deus me dê sabedoria, para que eu faça as escolhas certas e entregue minha vida ao que realmente vale a pena. Que tudo esteja orientado para a eternidade, afinal... A existência aqui é uma breve "gestação", ao fim da qual nasceremos para a verdadeira vida.



*Crise de falcização: ocorre quando grande quantidade de hemácias falciformes obstruem vasos, lesando tecidos do corpo - e causando muita dor. Saiba mais em: Manual de Anemia Falciforme Para a População (Ministério da Saúde)

sábado, 17 de setembro de 2011

Eu não sou um caso perdido!

Quando pensamos em santos, o que nos vem à mente? Pessoas abençoadas, que desde a tenra infância aderiram ao projeto de Deus. Pessoas que derramaram seu sangue em países distantes de sua terra natal, martirizadas. Homens e mulheres que entregavam tudo a Deus e ao próximo. Há também histórias de conversões, como as de Santo Agostinho e São Camillo de Lellis, para não falar do próprio apóstolo São Paulo.

Sempre gostei de ler as histórias dos santos. Encantava-me com seu heroísmo, com os milagres, com a intervenção da Divina Providência no momento em que tudo parecia dar errado. Os atos de amor, o martírio, as renúncias; tudo isso me encantava.

Durante minha adolescência li muitas dessas histórias. Hoje meu tempo está mais curto, então não posso ler tanto. Todavia, há dois dias encontrei uma história fantástica... E o melhor é que não faz tanto tempo que aconteceu. Trata-se de Jacques Fesch.

Vocês podem conferir a história dele aqui. Em linhas gerais, ele era filho de um banqueiro, vivia como "playboy", de forma desregrada. Engravidou sua namorada e casou com ela, mas foi infiel e teve um filho fora do casamento. Quando tudo ia muito mal, ele quis viajar de barco, sozinho. Mas, como não tinha dinheiro nem seu pai quis financiar a viagem, ele planejou um roubo. E foi aí que tudo aconteceu.

Na fuga do roubo, ele assassinou um policial e foi preso. Por causa desse crime, foi condenado à morte. O jovem não demonstrava arrependimento do que havia feito... Até aí, parece apenas a história de mais um criminoso. Uma noite, na prisão, tudo muda.

Em 28 de fevereiro de 1955... “Estava deitado, olhos abertos, realmente sofrendo pela primeira vez na vida. Repentinamente, um grito saiu de meu peito, uma súplica por ajuda – Meu Deus – e, como um vento impetuoso que passa sem que soubesse de onde vem, o Espírito do Senhor me agarrou pela garganta. Tive a impressão de um infinito poder e de uma infinita bondade que, daquele momento me fez crer com convicção que nunca estive abandonado.”

Ele ainda passou dois anos e meio na prisão. Nesse período, viveu um processo intenso de santificação, lutando contra si mesmo e contra o desespero. Arrependeu-se de seus pecados, e passou a ter uma vida ascética na prisão. Sua conversão virou notícia, e comoveu o país. Ele passou a escrever, e suas cartas se tornaram fonte de reflexão para os jovens católicos franceses...

Chegou a época de seu segundo julgamento, no qual a sentença de morte foi mantida. Ainda havia, porém, uma chance: ser absolvido pelo presidente francês. Todavia, ele negou. Assim, em 1º de outubro de 1957, Jacques Fesch foi guilhotinado. Abaixo, seus últimos escritos:

Último dia de luta. Amanhã, nesta hora, estarei no Paraíso. Que eu morra, se essa for a vontade do bom Deus. A noite avança e eu fico cada vez mais apreensivo. Meditarei na agonia do Senhor no Horto das Oliveiras. Oh, bom Jesus, ajudai-me, não me abandoneis. Mais cinco horas, e estarei na verdadeira Vida. Mais cinco horas, e eu verei Jesus!”

Sinto vontade de chorar quando leio esse trecho. Imagino-o, em uma cela escura, esperando a hora do grande encontro. "A noite avança e eu fico cada vez mais apreensivo". Imagino o misto de esperança e angústia... Tentem imaginar também...

Apesar da guilhotina, o final da história é feliz; a morte não deu a última palavra: ele encontrou Jesus!

Quem imaginaria que aquele playboy, que se transformou em assassino, estaria hoje a caminho dos altares? Sim, já está aberto seu processo de beatificação. E espero em Deus que em breve ele seja declarado beato. Não estamos admirando seus pecados - é óbvio! Mas nos maravilhamos com o poder que Deus tem para atrair os corações. Alegramo-nos com a conversão de Jacques Fesch.

Para mim, ele é a prova cabal de que não existem casos perdidos para Jesus. Ele não desistiu de Jacques. Não desiste de ninguém... Basta que lhe demos abertura e deixemos que Ele faça tudo em nós. 

Agora, quando o medo me assaltar, quando o inimigo tentar me enganar, dizendo que não tenho mais jeito... Lembrarei de Jacques Fesch. Deus nunca nos abandona. Eu não sou um caso perdido.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Exaltação da Santa Cruz

Hoje a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz.

Exaltar um símbolo que para muita gente está associado ao sofrimento e morte pode parecer estranho... Exaltar a dor? Exaltar a humilhação?

Não! Ao exaltarmos a Santa Cruz, exaltamos o Amor. Sim, na Cruz houve sofrimento e abandono... Mas, quando olhamos esse quadro pelo prisma do amor, toda a dor da Cruz se converte em conforto para nós.

Quando nos lembramos do sofrimento de Cristo por amor a nós, podemos nos unir a Ele a partir de pequenas cruzes do cotidiano - e como elas ficam mais leves, se as carregamos unidas a Jesus! Tudo passa a fazer sentido quando estamos com Ele.

Para finalizar... Encontrei esse vídeo, que tem tudo a ver com o dia de hoje!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Maria

Gostaria de ter inspiração para escrever um belo texto falando de Nossa Senhora...
Mas não sei por onde começar! Depois de muito pensar, veio-me à mente um atributo que me atrai muito em Maria: a Doçura com que Ela cuida de nós.

Vejo Nossa Senhora como uma mãe, cheia de carinho, cercando seus filhos de cuidados. Vejo-A paciente, ensinando-os por onde andar, o que fazer. Vejo-A triste, quando vê que não seguem o que ela ensinou. E vejo-A acolhedora, abraçando os filhos que voltam arrependidos, querendo recomeçar.

Enquanto escrevo, vêm-me lembranças nas quais a presença dessa Boa Mãe me consolou. E alegro-me por ter a companhia d'Ela... Tudo fica mais doce quando Ela está por perto.

Gostaria mesmo de ter escrito mais... Na verdade, esse texto é uma pequena luta comigo e com minha vontade de deixar tudo para "amanhã". De tantos adiamentos, o blog quase não é atualizado! Tentarei reverter esse quadro.

Por hora, uso esse pequeno espaço virtual para manifestar minha gratidão a Maria Santíssima, por tudo que ela fez e faz em minha vida! E para dizer a todos que não tenham medo de se aproximar dessa Mãe: tudo fica mais doce, mais suave, mais belo... Quando Ela está por perto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

No dia 12 de setembro...

... a Igreja celebra o Santíssimo Nome de Maria.

"O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal"


Retirei essa frase de uma reflexão, cujo link envio abaixo:


http://www.arautos.org.br/especial/18962/O-Santissimo-Nome-de-Maria.html


Que Maria Santíssima abençoe a todos!

sábado, 13 de agosto de 2011

Segredo de felicidade

Há tanto tempo sem escrever... Por quê? Nem eu sei. Dessa vez, não foi falta de "inspiração", pelo contrário! Nos últimos dias, tantas coisas aconteceram que não sei por onde começar...
Na última segunda-feira, minhas aulas recomeçaram. Acordar cedo, enfrentar o trânsito, assistir às aulas, atender os pacientes. Chegar em casa cansada, e estudar. E quanto mais estudo, mais coisas para estudar. Plantões. Sono. Provas. E ser apaixonada por tudo isso. Acordar feliz a cada manhã.

Não, eu não conseguiria sozinha. Em cada momento, deparo-me com o amor de Deus, que se revela em minha família, nos amigos, nos pacientes. Sinto na brisa o seu toque suave. No sol, sua presença envolvente. Na Eucaristia, encontro-O, Aquele a quem amo. E sou feliz.

Por que escrevo essas coisas? Porque muitos me conhecem como uma pessoa feliz, mas poucos sabem o que me faz ser assim. Todas coisas simples e maravilhosas que acontecem diariamente me alegram, mas tudo seria tão vazio sem Ele. A presença silenciosa que perpassa todos os momentos. É Jesus quem traz o colorido para meus dias. Ele é quem me faz sorrir, mesmo com sono, dor nas costas e muito assunto para estudar. Só por causa dEle eu consigo. Os problemas continuam; a diferença é que tenho o amor que emana dEle. E esse amor me fortalece para a vida.

E por que manifestar sentimentos tão pessoais? Porque sei que o mesmo Jesus que me faz feliz quer fazer cada pessoa feliz também. Tanta gente perdendo a vida, buscando a felicidade onde nunca vão encontrar! Eu seria egoísta se mantivesse em segredo onde a encontrei.

Se você tivesse, por 10 minutos, a atenção do mundo inteiro, o que diria à humanidade? Eu falaria da felicidade. Falaria de Jesus. Aquele por quem o coração humano anseia. Nossa felicidade.



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Beautiful Day!

Apesar de estar de férias, minha vida acadêmica não está totalmente parada. Hoje, fui à faculdade participar do ensaio de uma peça de teatro, cujo tema é saúde e direitos do idoso. Embora essa atividade não esteja diretamente ligada à medicina (há inclusive pessoas de outros cursos participando), considero válido participar, pois aprendo a me expressar melhor - além de me divertir nos ensaios!

Enquanto voltava, reparei no céu: estava lindo! O dia estava luminoso como há muito não se via... Nesses dias de "inverno", onde tudo era chuva, o céu azul e limpo me encheu de alegria.

Depois do almoço, fui encontrar alguns colegas. Foi ótimo revê-los e conversar um pouco, aproveitando um pouco da beleza do dia.

Esses momentos me falam, de alguma forma, do amor de Deus. Às vezes, nem consigo explicar como, mas só de olhar o céu, tão belo, lembro que Deus é amor. E quem ama, quer comunicar-se com o amado... Basta ver os casais de namorados, que se falam diariamente. Quanto mais nosso Deus, que nos ama a ponto de dar Sua vida por nós, na Cruz e no Altar! Sim, Ele está sempre demonstrando seu amor; nós é que, muitas vezes, não percebemos.

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Hoje foi um dia legal. Todavia, uma dúvida me persegue: apesar de gostar muito do grupo de teatro, preocupo-me se conseguirei "dar conta" da peça, do estágio e... da faculdade! O próximo período é - segundo dizem - um dos mais cansativos. Isso me faz pensar em deixar a peça, mas, ao mesmo tempo, é tão bom participar... Não sei o que faço!

sábado, 9 de julho de 2011

Em uma sexta à noite... ou: Aprendendo com os plantões!

Dormi bastante ao longo do dia. Foi para compensar minha madrugada, que passei quase toda acordada - estava de plantão. Ontem foi meu segundo dia do estágio de obstetrícia. Nem escrevi sobre o primeiro; a inspiração até veio, mas o cansaço foi maior e terminei por adiar, adiar e - pra variar - não escrevi!

Ontem, percebi que já não me sentia tão perdida como no primeiro dia. O entrosamento com minha dupla era maior, e a vontade de aprender, era mesma. No primeiro dia, eu estava mais entusiasmada. Ontem, mais concentrada. Foi uma noite bem agitada. Chegava gestantes o tempo todo, o hospital estava lotado, e também não havia muitas vagas para transferência. Foi como se todo mundo tivesse "combinado" para dar à luz naquela noite.

Ao longo da noite, aprendi bastante. Não me refiro apenas à obstetrícia, para a qual não faltaram situações diferentes para praticar e aprender. Cada gestante que eu atendia era para mim a oportunidade de acolher Deus, que se manifesta no próximo. Assim, preocupava-me não somente com a ciência, mas também com o aspecto emocional das pacientes.

Que leu alguns dos meus textos deve ter percebido que, volta e meia, falo da presença de Deus no cotidiano, e como sua Providência se manifesta, não nos deixando faltar nada. Geralmente, associamos a Providência divina a coisas agradáveis, como: "Ah, eu estava sozinha, sem saber como ir pra casa... E apareceu um amigo, que podia me dar carona", ou "Não ia conseguir entregar o trabalho naquele dia, e descobri que prazo foi aumentado".

Nessas situações, e em tantas outras podemos perceber o cuidado atencioso de Deus, que nos cumula com supresas agradáveis. Ontem, porém, foi quando percebi que a Providência também se manifesta nas situações desagradáveis...

Lá pelas 23 horas, chegou uma gestante de 16 anos, com 10 cm de dilatação, vinda do interior do estado. Não fui eu quem prestou o atendimento inicial, mas, dada a proximidade dos boxes, tomei conhecimento do caso. Embora a dilatação já estivesse completa, as médicas optaram por tentar inibir o parto, pois a gestação contava apenas 31 semanas*.

A jovem foi internada e, como o hospital estava lotado (sério, nunca tinha visto tanta gestante junta!!), ela ficou em um local improvisado, sem outras pacientes por perto. Por volta das 03: 20 da manhã, mandaram-me avaliar essa paciente. Antes de chegar a ela, já ouvia seus gemidos de dor. Encontro-a agitada, desorientada, sem colaborar com os exames...

É bem mais fácil ser simpática e acolhedora quando você está descansada e a paciente, colaborativa. Mas vai tentar ser "legal" naquelas condições! Para mim, foi um verdadeiro desafio. Claro que existem pessoas com uma serenidade quase constante, mas esse não é o meu caso. Tive de me superar para atendê-la e acalmá-la, sem deixar que sua agitação me contagiasse, nem que meu cansaço me levasse a ser rude. Foi difícil, muito difícil.

Mas, graças a Deus... Consegui!!! Fiquei muito feliz por essa vitória sobre mim mesma, e ofereço-a a Jesus que, me ajudou tanto :)

Quando lembro da paciente, a palavra que me vem à mente é desamparo: 16 anos, dando à luz seu primeiro filho, cheia de dores, sozinha, em um local imenso e desconhecido. Provavelmente, estava com muito medo. As pessoas que a atenderam, inclusive eu, percebiam que ela queria chamar atenção. Mas eu me pergunto: quem, nessas condições, não agiria de forma semelhante?

Nossa o post ficou gigante! Mas é que são muitas experiências que eu gostaria de compartilhar. E olha que só foram dois plantões!! Encerro com a foto de minha dupla:

Eu e Laís, depois do primeiro plantão

Fiquem com Deus!


*O objetivo da inibição do parto é ganhar tempo para a administração de corticoide, a fim de acelerar a maturação pulmonar do bebê. Esse procedimento é feito em gestantes que entrem em trabalho de parto antes de 34 semanas e não tenham contra-indicações à realização do mesmo

quinta-feira, 30 de junho de 2011

3, 2, 1... Férias!!!!!

Hoje foi meu primeiro dia de férias! Comemorei dormindo muito e indo às compras com minha mãe...
Como é bom acordar tranquila, sem me preocupar com o trânsito ou com a aula que terei! Passear sem pensar no que estudar quando chegar em casa... Nossa, estava quase esquecendo o que era isso!

Férias bem merecidas, pois, embora tenha gostado muito do que aprendi, esse foi um dos períodos mais estressantes do curso. Agora, um pouco de descanso. Quero que as olheiras que ganhei nas últimas semanas desapareçam logo!

Mas nem só de "moleza" as férias são feitas! Amanhã, se Deus quiser, começo meu estágio em obstetrícia!! Essa foi a área que mais me atraiu em todo o 5º período. Agora, tenho a oportunidade de praticar um pouco mais. Além disso, quero estudar um pouco sobre fisiopatologia e tratamento da dor. Só para não perder o ritmo... Bem, a verdade é que toda vez que fico de férias, planejo milhares de coisas para estudar. Na maioria  das vezes, não consigo. Para não perder o hábito, pretendo - como disse - estudar dor. Depois eu conto se consegui!

Quero aproveitar as férias para passar mais tempo com minha família. Quantas e quantas vezes tive de diminuir meu convívio com pessoas tão amadas por causa de plantões, provas, trabalhos... Quantas vezes eu estava tão estressada que preferia nem falar muito, para não "descontar" em ninguém!

Ler, passear, tocar teclado, internet... Nossa, quanta coisa para ocupar meu tempo! Espero não esquecer de algo essencial, que me ajudou a aguentar os dias mais tensos: a oração. E não falo disso como uma coisa "engessada", mecânica... Nem tampouco para me gabar ou posar de "santinha" etc. É que, conversando com Jesus, consigo "me encontrar", fico mais calma... (Ajuda até a estudar melhor #ficadica.). Descobri nEle um amigo para todas as horas. Quero que ele, que ouviu tantos estresses e problemas, participe também de minhas férias!

Quero aproveitar bem esse mês, pois dizem que o M6 é um dos mais pesados do curso. Mal posso imaginar... Ok, não vou ficar sofrendo por antecipação: as férias chegaram e vou é aproveitar!!!

sábado, 25 de junho de 2011

Perguntas sem resposta

Festa de família. Uma tia pede-me que repare em minha avó, uma senhora de quase 80 anos. Ela estava pensativa, acompanhando com o olhar cada pessoa que passava diante dela.

- Ninguém sabe o que passa na cabeça dela numa hora dessas - disse minha tia.
- É... - disse eu, sem saber bem o que responder.

E fiquei a pensar na efemeridade da vida. Minha avó teve a felicidade de chegar a essa idade com lucidez e cercada por uma família que a ama. Sua boa memória traz lembranças da mocidade: vestidos, músicas, pessoas... E tudo passou como um sonho.

Por um instante, parei para me questionar sobre o que estou fazendo com minha vida. Será que chegarei aos 80? E, se chegar, que lembranças trarei em meu coração? Para as duas últimas questões, não há resposta... Ainda!

A primeira, porém, necessita de uma resposta urgente. Viver é uma experiência única e irrepetível; devemos ser sábios para não desperdiçar essa oportunidade maravilhosa. E como obter a sabedoria?

Dirijo-me a Jesus, pedindo que me guie sempre. Que me ajude a tomar a as decisões certas... Para que minha felicidade comece aqui e seja plena... No Céu!

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Depois das reflexões, torno a olhar para minha avó. Seu rosto marcado pelos anos continua com aquela expressão reflexiva. Dirijo-me a ela e a abraço. Digo que a amo. E não consigo conter as lágrimas. Aliás, elas teimam em querer sair agora, enquanto escrevo.

Não sei quanto tempo terei aqui. Mas toda manhã peço a Deus que Ele faça cada dia valer a pena!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Beleza

Os dias estão passando rápido... As últimas provas do semestre já começaram; na verdade, já se aproximam do fim! Passar o feriadão estudando faz parte.... Alegro-me só de lembrar que, na próxima semana, estarei livre delas! Preciso de férias :)

Falando em provas, as pessoas que convivem comigo participaram de momentos bem intensos relacionados a um certo concurso do qual participei. Eu havia me preparado bem, mas - sinceramente - não acreditava que ia passar. Fiquei muito triste, achando que tinha estudado em vão (como se não tivesse aprendido: estudo nunca é em vão!)... Até que saiu o resultado e, graças a Deus, passei!!!

E, assim, o tempo vai: na alegria de ter terminado o módulo de pediatria; em meio aos cansaços da ginecologia... Mas, felizmente, sinto-me mais aberta a perceber a beleza de Deus. Em meio ao caos de atividades consigo enxergar "lembretes" do seu amor. Uma flor, uma borboleta, a Lua... Tudo fala do imenso amor de Deus por nós. Basta que estejamos atentos!

Bem, vou indo... Ainda há muito para estudar. Mas já sinto o "cheirinho" das férias! :)

Fiquem com Deus!